Eu queria que a Dave Matthews Band tocasse no meu casamento. E o desejo aumentou mais depois dos dois shows que eu vi deles aqui no Brasil, em 2008. Mas é claro que esse sonho beira o impossível. Mas se não podia tê-los como banda de casamento, por que não tê-los como trilha sonora da minha lua de mel? E esta oportunidade foi bem possível e realizada no último dia 12 de março, em Birmingham.
E foi muito na sorte. Entre todos os destinos de lua de mel pensados com a minha mulher Juliana, conhecer Londres e a Inglaterra, seu sonho, só surgiu na última pesquisa de preços. Sem pestanejar fechamos um pacote de sete dias para curtir nossos primeiros dias de casado em um lugar que ela sempre queria estar. E como um bom fã de música comecei a procurar datas de turnês das bandas que eu gosto. A primeira foi a DMB, sem saber que eles já tinham turnê marcada para a Europa. Quando vi que eles estariam naquela ilha na semana da nossa lua de mel comecei a medir as distâncias das cidades e ver a possibilidade de ir de trem já que em Londres eles tocariam justamente no dia do meu casamento. Birmingham, com boa facilidade para ir de trem (uma viagem que a Ju até então não tinha vivenciado) foi a melhor alternativa.
Dave Matthews Band - Seek Up parte 1(Birmingham, Inglaterra, 12/03/2010)
Pacote pago, ingressos comprados e recebidos, casamento consumado, Londres conhecida, foi só esperar o último dia da lua de mel para que ela ficasse ainda mais inesquecível.
Chegando em Birmingham, procuramos informações sobre como chegar na O2 Academy e conhecemos duas americanas que estavam em Praga e foram até Birmingham para ver a banda que tanto gostam. No caminho, ficaram surpresas ao saber que a DMB tinha fãs no Brasil, que conheciam bem a banda e que se dispunham a viajar para outro continente para vê-los. Ficaram ainda mais empolgada por estarmos de lua de mel e quiseram saber todos os detalhes da noiva.
Na O2 Academy é chato falar, mas é preciso. Apesar da fila inicial (pequena é verdade) a entrada foi tranquila, havia espaço para todos e não foi preciso apelar para pista vip para ficar bem perto do palco e da banda. Simples assim: quem quer ver de perto, chegue mais cedo. Quem quer mais conforto, pague um pouco mais caro para ficar sentado no mezaninno. Algo que nossos produtores deveriam lembrar ao cobrar exorbitantes R$200 para uma entrada no show (lá foram 33 libras, nem R$ 100 na conversão).
Dave Matthews Band - Seek Up parte 2(Birmingham, Inglaterra, 12/03/2010)
O show foi intenso. Em todos os registros de áudio, vídeo e dos dois shows que eu vi no Brasil, nunca senti a Dave Matthews Band tão pesada. A minha mulher, que só começou a ouvir a DMB por minha culpa e acabou meio que se apaixonando pelo Dave, também notou que eles estavam mais rock'n roll. Foi "estranho" mas ao mesmo tempo gratificante ver que os novos "integrantes" deram um tom diferente mas sem fazer com que a banda perdesse aquela áurea que só ela tem.
O início do show, com Proudest Monkey e Satellite foi à lá DMB antiga. Mas a sequência de músicas do último disco deram o peso que ficou marcado no show. Parecia que faltava aos primeiros membros da banda uma guitarra mais pesada. Comecei a gostar da DMB com aquele som mais "americano", beirando até mesmo o country. Mas a guitarra de Tim Reynolds parece estar sendo fundamental para a banda se reinvintar e conseguir uma turnê europeia tão extensa quanto essa.
Lembro que durante o caminho para o local do show, uma das americanas que conhecemos falou que a banda não era tão conhecida fora dos Estados Unidos. Mas ultimamente tenho sentido o esforço da banda em deixar seu som mais "universal". A força da guitarra de Tim, da bateria de Carter e dos metais de Rashawn e Coffin deram um som novo para quem não precisa fazer palcos enormes estrutura de luzes incríveis e pirotecnia para ser líder na venda de ingressos para shows, sejam eles em casas fechadas e intimistas até grandes estádios.
Tive dois pontos altos na apresentação. Não ouvi músicas que gostaria muito de ouvir ao vivo, mas fui presenteado com uma belíssima execução de Lie In Our Graves (veja aqui o vídeo), num lindo solo de Boyd Tinsley, que desde os shows no Brasil me pareceu um pouco "deslocado" com tanta gente nova no palco e arranjos em que seu violino não aparece tanto. Mas ele foi fenomenal. Na música que me lembra tantos os solos lindos de Leroi Moore e seus metais, Boyd foi impecável. E além disso pude, finalmente, cantar nos ouvidos da pessoa amada Crash Into Me, algo que deseja fazer desde que vi o Listener Supported pela primeira vez. Tudo isso com o bom humor característico do Dave fazendo piadinhas e brincando até mesmo quando o público começava a pedir músicas.
Sonhos realizados mas não satisfeito. Graças ao vasto material da banda e aos set lists variados, ainda continuo a perseguição aos meus hits pessoais. You and Me, a música de trabalho e um dos clipes que mais mexeram comigo (aposto que não sou o único que queria ser um dos que tocaram naquela gravação) não foi tocada e eu aguardo ansiosamente a volta deles ao Brasil (mesmo que seja apenas Dave & Tim) para vê-los mais uma vez. Ainda bem que eles estão se reinventado e curtindo este momento.