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DMB Caravan
20 anos de Dave Matthews Band - Pt. 1 27/1/2012

Começamos aqui uma série de textos contando um pouco sobre o legado da Dave Matthews Band até a comemoração de 20 anos do grupo, completados em 2011 com a celebração dos festivais apelidados de DMB Caravan e a gravação do novo CD de estúdio, com lançamento previsto para ainda este ano (a banda está, neste momento, em estúdio gravando as novas músicas).

15 minutos para o inesperado

Imagine uma banda surgindo no meio da explosão grunge, no início da década de 90, sem seguir nenhum rótulo musical, tocando um misto de folk, pop, jazz e rock, e com uma formação um tanto quanto inusitada: sax, violino, bateria, baixo, voz e violão (pasmem, sem guitarra!). Sobreviver nesse cenário, disputando a audiência com bandas que se tornariam os principais nomes do movimento liderado pelo Nirvana poderia parecer algo impossível, mas não no caso da Dave Matthews Band.

Nascida na pequena cidade de Charlottesville, no ano de 1991, a DMB procurou novas formas de divulgar seu trabalho. Coran Capshawn, empresário do grupo até os dias atuais, vislumbrou o nicho perfeito para seu plano - os campus das universidades americanas - e juntos decidiram incorporar parte da filosofia do Grateful Dead, usando e abusando de um método que iria dominar a década atual, a troca de arquivos - muito antes dos fatídicos arquivos de MP3.



Sem acesso às grandes gravadoras o quinteto formado por Dave Matthews, Carter Beuford, Leroi Moore, Boyd Tinsley e Stefan Lessard tocava onde podia, pelo valor que fosse, para qualquer público que quisesse assistir. Com seu repertório ainda em desenvolvimento, a banda testava musicas em todas as apresentações, criando arranjos, passagens e convenções ao vivo. Os setlists eram escolhidos na hora, sem a preocupação de seguir um script pré-programado. Essa variedade de canções e versões era a fórmula perfeita para que as pessoas se interessassem em ter a maior quantidade delas registradas.

A ordem do dia era liberar a mesa de som para que os fãs pudessem plugar seus equipamentos e gravar as performances, ainda em fita K7. Como um vírus poderoso, essas gravações começaram a ser espalhadas pelas faculdades, nos dormitórios dos estudantes, nos bares, nas rodas de amigos. De mão em mão, dia após dia, mês após mês, a DMB via seu circuito de shows aumentar, com datas em novas cidades e em casas maiores a cada visita. Mesmo chegando pela primeira vez em locais nunca antes imaginados, todas as músicas eram cantadas a plenos pulmões pelo público - o plano deu certo: a banda não havia chegado, mas as fitas já estavam lá há algum tempo.



Em 1994, o frenesi nas universidades americanas era tão grande e a agenda era tão puxada que não demorou muito para a RCA assinar um contrato com a já experiente Dave Matthews Band. O produtor escolhido para lapidar o material bruto que a banda havia armazenado (suficiente para quase 3 CDs completos) foi Steve Lillywhite, famoso por trabalhos com U2 e Peter Gabriel, que teve a tarefa de escolher e formatar para versões de estúdio 12 dessas canções. "Under The Table And Dreaming" estourou nas paradas, vendendo rapidamente 1 milhão de cópias e alavancando a DMB para a fama no seu país.

O resto é história: 20 anos depois o grupo continua unido, mesmo sem Leroi Moore (membro fundador falecido em 2008), se mantendo fiél às raízes. Fazendo turnês gigantes em todos os anos desde sua criação, a banda foi a que mais lucrou com shows na última década nos EUA, ficando à frente de medalhões como U2, Rolling Stones ou Bruce Springsteen. As fitas K7 deram espaço para os MP3s e os fãs que plugavam seus equipamentos na mesa de som ainda podem entrar nas enormes arenas e anfiteatros e gravar o que quiserem. Apelidados de tapers, eles estão em todos os shows e liberam as gravações poucas horas depois do término das apresentações, de graça, nos diversos sites de download que o grupo permite. É possível achar praticamente todas as apresentações da Dave Matthews Band na internet - de 1993 para cá - e com qualidade sonora impressionante.

Se eles não repetiam os setlists, agora, com muito mais músicas na bagagem, fica muito mais divertido. Noite após noite os fãs são brindados com espetáculos variados, com músicas surgindo sem avisar e faixas que haviam sido esquecidas há anos aparecendo sem pedir licença. Tocar duas noites seguidas na mesma cidade? É fácil, são dois shows 100% diferentes. 3 noites? Sem problemas, 60 músicas estão ensaiadas e prontas para serem tocadas. E eles ainda se permitem escolher os setlists 15 minutos antes de subir ao palco. Os fãs esperam o inesperado. E a banda também.

Aguarde a 2ª parte em breve> Dos teatros às caravanas



Créditos: Rodrigo Simas

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