Finalmente o tão aguardado Chinese Democracy vai sair. Ou parece que vai. As piadas em torno do lançamento já estavam até perdendo a graça. Pra quem não sabe do que estou falando (e provavelmente não mora no mesmo planeta que eu), o esperado CD é o novo trabalho do Guns n’Roses, que estava há quinze anos no forno e já gastou uma fortuna maior que dez milhões de dólares.
A empresa de refrigerante Dr Pepper (em uma bela jogada de marketing) chegou a prometer uma latinha de refrigerante para cada cidadão norte-americano caso o disco realmente chegasse às lojas ainda esse ano. Agora que está confirmado, a Dr Pepper se pronunciou, dizendo que vai cumprir a promessa. Pode ser que alguma coisa aconteceça no dia do lançamento e eles resolvam segurar por mais alguns anos, vai saber...
Uma prévia – dizem que ainda é a versão demo – é facilmente achada nos programas e sites de downloads. É verdade que a versão do álbum que caiu na internet tem algumas músicas diferentes do CD que está em pré-venda, além da ordem das faixas não bater com a final. Ou seja, não sei se ouvi ainda o Chinese Democracy como ele realmente é.
Já foram publicadas milhões de resenhas em jornais, blogs e sites. Lá fora as opiniões são díspares: alguns amam, outros odeiam. Aqui no Brasil só li um texto que achei válido – o do Jornal O Globo, do Rio (se não me engano o texto era assinado pelo Bernardo Araújo, que aliás vem acertando bastante) – mas a tendência dos críticos é copiar a primeira opinião divulgada publicamente. Assim, a maioria dos textos parece escrita no banheiro, tamanha a quantidade de merda saindo por aí.
Se o tal Chinese for (ou perto do que ele é) o CD que está no meu IPOD, posso afirmar algumas coisas (todas elas frutos da minha humilde opinião pessoal):
- É um CD do Guns N’Roses? Definitivamente não. Deveria vir com o nome de Axl Rose e ponto final. Quem pegou a época do Apetite For Destruction deve entender o que estou falando. Isso sem falar no Slash... bom, deixa pra lá...
- Vale a pena a espera de 15 anos? Não. Mas isso era meio óbvio... nenhum CD vale essa espera... é a mesma coisa que achar que o Lula ia mudar o Brasil e que o Obama vai salvar o mundo. Espera aí, ele não vai?!?
- É revolucionário? Vai marcar uma época? Duvido muito, não tem nada nele que seja realmente novo e muito menos revolucionário, até porque as músicas foram escritas há tanto tempo que já soam datadas, principalmente pelos arranjos eletrônicos e a influência industrial/nu-metal de grande parte das composições. Mas também acho só o tempo vai dizer. O que mais tem por aí são obras-primas que só foram reconhecidas décadas depois de lançadas.
- É bom? SIM. Seria melhor ainda se Axl lançasse um novo CD a cada dois anos e – como disse anteriormente - não tivesse o nome de Guns N’Roses.
- Provavelmente ele não vai conseguir cantar bem 90% do repertório ao vivo. Ainda mais em uma turnê mundial com a cansativa agenda de shows. Arrisco dizer que – com ajuda de programas ou não – são as linhas de voz mais complexas que Axl já gravou e sua performance, pelo menos em estúdio, é incrível.
- Vai virar moda falar mal desse disco. Aliás, entre os ditos críticos musicais brasileiros, já é “in” dizer que é uma bosta sem tamanho.
Formação clássica: Adler, Slash, Axl, Izzy, Duff.
Minha dica: baixem, ouçam, tirem suas conclusões. Se gostarem, comprem. Se não gostarem, unam-se a legião dos que falarão mal de Chinese Democracy pelos próximos anos. Gostem ou não, lembrem-se: a banda que lançou os clássicos Apetite For Destruction, Lies e o duplo Use Your Illusion não existe mais: os jovens de hoje não poderão ter o prazer de ver um bando de vândalos, putos e drogados dominar o mundo tocando rock n’ roll como só o Guns fazia. Uma pena.